O estudo CROSS publicado em 2012 foi o maior ensaio clínico fase III de quimiorradioterapia neo adjuvante para tumores ressecáveis do esôfago e junção esofagogástrica. Seus resultados mostraram benefício na sobrevida global (SG) e livre de doença a favor do grupo neoadjuvância e por isso esse esquema se tornou o padrão de tratamento em muitos centros americanos e europeus.

As taxas de resposta patológica completa após o CROSS ocorrem em cerca de 29% dos pacientes, ou seja, a maioria deles ainda apresenta doença residual após o tratamento neoadjuvante. Daí o interesse em fazer quimioterapia adjuvante (QA) nesses casos, apesar de isto não estar comtemplado no protocolo original. Todavia, até o momento, não existem dados de literatura que apoiem essa conduta e tampouco se sabe que subgrupo de pacientes se beneficiaria dela.

Esse estudo de coorte retrospectivo de pacientes com câncer de esôfago utilizou o banco de dados nacional americano NCDB, no período de 2006 a 2012. Dentre os 3592 pacientes tratados com quimiorradioterapia neoadjuvante seguida por esofagectomia, 335 (9.3%) receberam QA. Os pacientes com adenocarcinoma representaram 85% da coorte.

O tempo médio de seguimento foi de 25 meses. Dentro da coorte como um todo e também do subgrupo de pacientes com adenocarcinoma não houve diferença na sobrevida global entre os pacientes que receberam ou não QA. Entretanto, quando se considera apenas o subgrupo de pacientes com doença linfo nodal residual (ypN+) a QA mostrou aumento na sobrevida global tanto para a coorte como um todo como para o subgrupo adenocarcinoma. Dessa forma, dentre os pacientes ypN+, a utilização de QA reduziu o risco de morte em 30%. Dentre os pacientes sem doença linfo nodal residual, ypN0, a QA não se associou à redução do risco de morrer.

Sabemos que os pacientes com metástase linfo nodal apresentam pior prognóstico e maiores risco de recorrência da doença. Dessa forma, parece biologicamente plausível que a QA possa trazer benefício no subgrupo ypN+ conforme sugerem os resultados desse estudo.

 

Dr Flavio Sabino – Oncologista de Esôfago e Estômago