A BOOP (Bronchiolitis Obliterans Organizing Pneumonia) é uma doença pulmonar difusa e infiltrativa, predominantemente encontrada nos ductos alveolares e alvéolos, que na maioria dos casos é idiopática, mas pode ser causada por drogas, doenças do colágeno, tireoidite e radioterapia. O principal achado histopatológico é a presença de tecido de granulação organizado no interior dos espaços alveolares e das pequenas vias aéreas. Clinicamente caracteriza-se por tosse, febre, dispnéia e estertorações. O método padrão ouro para o diagnóstico é a biópsia pulmonar, que apresenta acurácia de 90%. Esse artigo faz o relato de um caso de BOOP diagnosticado durante o período pós-operatório de uma esofagectomia minimamente invasiva cuja causa atribuímos a radioterapia realizada previamente à cirurgia.

A paciente, uma mulher de 66 anos, não fumante, diagnosticada com carcinoma de células escamosas de terço médio de esôfago, estágio clínico T3N2M0, recebeu tratamento neoadjuvante com quiorradioterapia e nove semanas após o término foi submetida à esofagectomia minimamente invasiva por toracoscopia em posição pronada, laparoscopia e cervicotomia. À toracoscopia o pulmão tinha aspecto macroscópico normal, mas havia um intenso processo de fibrose na região irradiada do mediastino. Durante o período pós-operatório, queixava-se de dispnéia, apresentava hipoxemia à gasometria arterial e tinha estertorações ao exame físico. Não havia sinais clínicos ou laboratoriais de infecção, inclusive com culturas negativas. Os achados tomográficos foram característicos de BOOP. A paciente necessitou de suporte ventilatório invasivo. Diante desse quadro suspeitamos do diagnóstico de BOOP, iniciamos metilprednisolona 120 mg/dia e realizamos uma biópsia pulmonar que confirmou o diagnóstico. A paciente apresentou melhora clínica progressiva, foi retirada da ventilação mecânica no décimo DPO e teve alta hospitalar no vigésimo oitavo DPO.

Esse é primeiro caso de BOOP diagnosticada durante o pós-operatório precoce de uma esofagectomia. Devemos estar atentos a possibilidade desse diagnóstico em pacientes com história de radioterapia e infiltrado pulmonar aos exames de imagem, pois a resposta à corticoterapia é dramática e muda o curso clínico da doença.