Esse estudo de revisão publicado na Diseases of the Esophagus ano passado avaliou entre outras coisas a relação entre a prática de atividade física e o desenvolvimento de câncer de esôfago.

Para este fim, os autores incluíram três publicações, sendo dois estudos prospectivos de coorte e um estudo caso-controle. No total, 666 casos de adenocarcinoma de esôfago foram identificados entre os 989 046 participantes.

Na maior coorte prospectiva investigada apenas a atividade física recreativa foi avaliada e graduada em 5 níveis de acordo com a frequência semanal em que eram realizadas.

Os autores relataram um risco relativo de 0.68 para atividade física recreativa por 5 ou mais de vezes por semana versus nenhuma atividade física.

O segundo estudo coorte utilizou questionários para medir a atividade física tanto recreativa quanto ocupacional entre indivíduos de nove países europeus.

O nível de atividade física foi classificado em quatro níveis. Este estudo reportou uma HR de 0.98 para os níveis mais altos de atividade física versus os níveis mais baixos.

O terceiro estudo, tipo caso-controle, avaliou apenas a atividade física ocupacional.

Os autores encontraram uma OR de 0.67 para a atividade ocupacional fisicamente mais ativa versus a menos ativa.

Apesar dos 3 estudos apresentarem diferentes riscos de bias que podem confundir a interpretação dos resultados, os autores concluíram, baseados nos resultados do maior estudo de coorte, que existe um nível pequeno de evidência que indica que a prática de atividade física por pelo menos 100 minutos por semana pode reduzir o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago em até 32%.

Entretanto, essa associação provavelmente não é linear, ou seja, níveis baixos ou muito altos de atividade física recreativa podem aumentar os riscos, enquanto níveis moderados parecem reduzir os riscos de desenvolver adenocarcinoma de esôfago.

Dr Flavio Sabino – Cirurgia de Câncer de Estômago e Esôfago

Cirurgião de Esofagectomia

Coordenador do Grupo de Câncer de Esôfago do Inca
Cirurgião da Seção de Cirurgia Abdômino-pélvica do Inca
Cirurgião do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro