Artigo publicado esse ano analisou o valor do PET antes e após a quimioterapia de indução (QI) no adenocarcinoma de esôfago (AE) como preditor de resposta patológica ao tratamento quimiorradioterápico (QR) subsequente.

Trata-se de um estudo retrospectivo que avaliou 70 pacientes com AE do MD Anderson Cancer Center submetidos à QI, seguida por QR e cirurgia. O PET foi realizado antes e após a QI para apreciação de resposta metabólica precoce e seus resultados foram estudados como potenciais preditores para resposta patológica (RP) ruim, sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG).

Dentre os pacientes elegíveis, 39% apresentaram RP ruim e 61% RP boa. Uma variação do parâmetro glicólise total da lesão (TGL) menor que 26% antes e depois da QI foi preditiva de RP ruim, com sensibilidade de 67%, especificidade de 84% e acurácia de 77%. Além disso, pacientes com decréscimo na TGL menor que 26% também apresentaram pior SLP, mas SG equivalente.

Esses resultados podem ser interpretados da seguinte forma: a chance inicial de uma RP ruim de 39% (prevalência global) pula para 72% no grupo de pacientes avaliados pelo PET como mal respondedores pela variação na TGL. Essa informação pode ser usada para modificação do regime de QT administrado concomitantemente com a QR ou mesmo para a omissão da QR nos classificados como mal respondedores. Dessa forma, a resposta à QI avaliada pelo PET pode servir como um marcador da sensibilidade do tumor à QT, indicando se o paciente irá se beneficiar ou não do tratamento subsequente com QR. Nesse sentido, um estudo prospectivo do grupo CALGB iniciado em 2011 está utilizando o PET para direcionar o tratamento neoadjuvante nos pacientes com AE e seus resultados ainda são aguardados.

Os autores concluíram que o PET pode ser uma ferramenta útil para predição precoce de RP ruim após a QI nos pacientes com AE, podendo assim auxiliar na individualização e escolha do tratamento neoadjuvante mais efetivo. Nosso protocolo QUIMERA no Instituto Nacional do Câncer, que está aberto para recrutamento, também fará avaliação de resposta metabólica durante o curso de um tratamento neoadjuvante com QI e QR antes de cirurgia minimamente invasiva para pacientes com câncer de esôfago e junção esôfago-gástrica.

Dr Flavio Sabino

Oncologista Esôfago e Estômago