A história familiar de câncer é uma ferramenta de rastreamento muito útil para se estimar o risco de desenvolvimento da doença. O risco aumentado em indivíduos com história positiva resulta tanto da suscetibilidade genética herdada, quanto de fatores ambientais e de comportamento compartilhados pelos indivíduos da mesma família.

Em relação ao câncer de estômago, a presença de história familiar positiva em parentes de primeiro grau tem sido associada a risco aumentado em muitas populações. Entretanto, a maioria destes estudos foram tipo caso-controle envolvendo populações asiáticas.

Esse estudo, publicado mês passado na Gastric Cancer, avaliou este tópico de forma prospectiva em uma coorte de 29 133 homens finlandeses fumantes. A história familiar de câncer em parentes de primeiro grau foi verificada por meio de questionários auto-aplicáveis e os níveis séricos de pepsinogênio, um biomarcador de atrofia gástrica (precursora do câncer gástrico), também foram mensurados.

Um total de 307 casos de câncer gástrico foram identificados durante o período de 15 anos de seguimento do estudo.

O relato de história familiar de câncer de estômago em parentes de primeiro grau associou-se a um risco aumentado em 1.5 vezes em comparação a indivíduos sem história familiar de câncer gástrico. Quando analisadas separadamente, apenas a história de câncer paternal aumentou o risco. Além disso, o aumento do risco também ficou restrito aos tumores localizados fora da cárdia e em indivíduos menores de 70 anos. A história de câncer gástrico em parentes de primeiro grau também se associou a níveis séricos baixos de pepsinogênio (OR 1.2). História familiar de outros tipos de câncer que não o de estômago não se associou a aumento de risco.

Uma metanálise feita pelos autores do artigo chegou a um risco relativo de 2.2 para história familiar positiva de câncer de estômago em parente de primeiro grau, sendo que a associação mais forte foi para os casos em irmão ou irmã.

Dessa forma, a simples informação da presença de história familiar positiva de câncer de estômago em parente de primeiro grau pode auxiliar a identificar um subgrupo populacional de risco aumentado para desenvolver a doença.

Dr Flavio Sabino – Cirurgia de Câncer de Estômago e Esôfago

Cirurgião de Esofagectomia

Coordenador do Grupo de Câncer de Esôfago do Inca
Cirurgião da Seção de Cirurgia Abdômino-pélvica do Inca
Cirurgião do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro